Mudar

A vida é um constante recomeço. Ciclos que se fecham, outros que se abrem. Com alguns aprendemos muito, com outros, pouco, mas ainda assim aprendemos.

Muitas vezes a sensação que temos é que não caminhamos nada, de que continuamos exatamente no mesmo ponto de partida, porém, isso é uma grande injustiça com Deus e principalmente conosco, porque nunca somos os mesmos, mesmo que quiséssemos. Aliás, nós nunca somos, apenas estamos.

E o mais ridículo: estamos sempre preocupados com aquilo que não somos. Cada anseio mais íntimo que temos refere-se mais ao mundo externo do que os gritos surdos de nossa alma. Na medida em que agrado a conveniência, desagrado a mim mesmo, porque a originalidade de nosso ser abomina os clichês, o estar por estar, o ficar por ficar, o fazer por fazer. Ainda que a imobilidade de nossos neurônios mais preguiçosos tente nos convencer do contrário, tudo está em constante movimento, inclusive o nosso universo que gira em torno do umbigo.

Quando se levanta a cabeça e olha para o horizonte desconhecido, quando se passa a pensar no impensável, quando o sólido se desmancha como areia do deserto, quando o rico se torna pobre, quando o certo se torna incerto, quando o dia vira noite, quando as falésias se curvam diante das ondas do mar, quando nossas bases de sustentação se esfacelam na parábola do tempo… Então é hora de chorar. Não pelo o que perdemos, mas sim como último ato de despedia daquilo que nunca mais seremos. Despeça-se de ti, porque aquele que está por vir não suporta que um escravo sirva dois senhores ao mesmo tempo.

Esqueça as montanhas, o céu estrelado, o rio de águas cristalinas, o sorriso, a flor que desabrocha descompromissada, a gota de orvalho que escorre pela relva, a formiga que carrega as migalhas de pães, seus filmes e livros Best Sellers, as músicas preferidas, os lugares que são seus cartões postais, a forma de dormir, de acordar, chegando até o seu jeito de amar. Então, olhe para todas estas coisas uma última vez, e constate o óbvio: elas também mudaram.

Essa angústia cravada no peito não vai cessar enquanto não nos desprendermos da necessidade louca de achar que o carrossel da vida tem de parar para que possamos descer porque estamos tontos.

Pare e pense: nós estamos fadados à tirania do tempo. Então perfile tudo o que sobrou das ruínas de sua vida e faça um castelo com as pedras que encontrou no caminho.

Mudar sem culpa, sem obrigações, apenas recomeçar de novo para que se encontre o tão sonhado final feliz…

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