Inacabada

Porque sua mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência e do mundo

Porque o tempo em que vive
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo, outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
nos mares interiores
a resposta da pergunta inexistente

Porque tu vais te vencer
ainda que tenha de perder
certo é que estarás aqui
onde o ruído não alcança
as lágrimas não escorrem
e o vento não sopra

Porque foi assim,
sabendo de si pelas beiradas
por aquilo que perdia pelo caminho
que tudo ficou claro
não há o que fazer
sua sina é acontecer

Porque entre o desejo de ser
e o receio de parecer
haverá o tormento da hora cindida
Na desordem dos pensamentos
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos

Porque nenhuma palavra
alcança você, eu sei
Ainda assim,
escrevo você,
inacabada.

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