Uma criança

Um herói que é um astro, um cordeiro, um rei, um sol e uma criança – criança impronunciável, virginal, invisível, onipresente, silente, frágil, belíssima e tremenda; criança que qualquer um pode vislumbrar e cujo perfume exala em todo lugar; a vertiginosa criança da Árvore da Vida, cujas mãos curam as nações e cuja imagem apenas nos sonhos nos é dado contemplar; a criança que tem o poder de converter todas as espadas e cuja preciosíssima essência é destilada, gota a gota, por cada ato isolado de generosidade e de coragem; a criança imensa, imaculada e onipotente cujo sorriso simétrico são todas as lágrimas que já derramaram em todas as épocas todos os homens – inclusive as lágrimas daquele cujo Coração corresponde, incrivelmente, circularmente, à própria Criança.

E vejo-me de joelhos diante de uma criança que nunca vi e de seu perfume, absolutamente convicto de que não será a última vez. Ela é bela e infinita, e cada oração que faço pelos outros ela exige que seja eu mesmo a responder; cada oração que faço por mim mesmo ela responde com um um sorriso, um silêncio e – no tremendo braço estendido, que poderia com absolutamente qualquer outro gesto me derrubar – uma mesma criança a me ninar.

Uma criança chamada Jesus. Está tudo preparado para seu (re)nascimento, os corações estão prontos.

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