A linha

Se a mim fosse dada esta possibilidade, escreveria até me desfazer por inteiro, tal como fiapo de pano, que quanto mais se puxa, mais desfaz a costura. Cansei de ser estampa de bordado. Quero ser livre como linha de pipa, que baila entre as nuvens enquanto foge do carretel.
Anúncios

A máscara que a gente veste

Entre os anos de 1819 e 1880 viveu em San Francisco um homem que se autodenominava Norton I, Imperador dos Estados Unidos. Vivia e agia como tal e era acatado pela sociedade com todas as honras. Sua companhia era aceitável, sua presença em festas e eventos era disputada e seu apoio sempre desejado para toda e qualquer causa. Imprimia seu próprio dinheiro, que nenhum dono de restaurante ousava rejeitar. Uma legítima nota de cinqüenta centavos de dólar do Norton I hoje é comercializada por mais de 500 dólares. Mais de 10 mil pessoas compareceram ao seu funeral, revelando o quanto valorizavam sua excentricidade.

Desde que a ouvi num documentário do GNT achei a história maravilhosa. Já dediquei devaneios a respeito de Norton I e seu império particular. De vez em quando suscito uma discussão aqui em casa para saber o que eles aprendem com esta história. O que mais me chamou à atenção foi o fato de que você pode construir uma identidade falsa a seu respeito, e não faltarão pessoas para acreditar, alimentar e até mesmo tirar proveito da sua mentira.

Na verdade, acho que todo mundo cresce construindo uma identidade falsa a respeito de si mesmo. Desde a infância, quando sofremos as projeções dos pais e da família, passando pela adolescência, período quando precisamos encontrar um jeito de sermos aceitos e admirados pela turma, chegando à fase de definição de carreira e casamento, até este mundo fake, cuja moeda mais valorizada é a imagem e onde ninguém vale mais do que seu lay-out. Aos poucos vai deixando de ser importante o que de fato somos, para que entre em cena algo que nos tornamos, ou por escolha própria, ou por pressão de outros. A menina que disputava o amor do pai e o menino que disputava o amor da musa da escola crescem e se tornam a executiva que disputa a admiração do seu homem e o empresário que quer provar pra todo mundo que é melhor do que o irmão dele.

A maioria das pessoas funciona como matéria de retro-alimentação dessa loucura coletiva de identidades de mentirinha e infelicidades crônicas. Ninguém se atreve a tirar as máscaras, e muito menos denunciar as máscaras dos outros. Sobrevivemos de tapinhas nas costas e elogios evanescentes. Mal de época. Tempos em que ser celebridade é mais importante do que ser gente. Dias em que para ser celebridade vale tudo, até prostituir a identidade. Mundo de caras e bocas, onde os seduzidos pelos flashes e spots não buscam outra coisa senão a notoriedade, a admiração, o comentário invejoso dos demais boçais. Pessoas esculpidas, gente de plástico, corpos e caras de mentirinha, admirados e exibidos como verdadeiros – bolhas de sabão: perfeitos apenas de relance. Simulacro: posições bonitas apenas na fotografia.

Alguém disse que a máscara, se lhe dermos tempo, torna-se o próprio rosto. Aí acontece o que Orlando Tejo, poeta de cordel, cantou

Eu briguei com um cabra-macho
mas não sei o que se deu
eu entrei pru dentro dele
ele entrou pru dentro deu
e num zuadão daquele
não sei se eu era ele
nem sei se ele era eu.

Isto é, a gente já não sabe quem é quem dentro da gente, desconhece quem mora na nossa cara, quem domina o pedaço que acreditávamos nosso corpo.

Mas tem sempre o dia em que a casa cai. Graças a Deus. O Lulu Santos tem razão, pois tem mesmo

dias que a gente olha pra si
e se pergunta se é mesmo isso ali
que a gente achou que ia ser
quando a gente crescer
e a nossa história de repente ficou
alguma coisa que alguém inventou
e a gente não se reconhece ali
no oposto de um dejavú.

Por estas e outras é que acredito que a maturidade implica necessariamente na descoberta de si mesmo. E para isso, normalmente precisamos de espelhos, mas espelhos sem deformações, os espelhos da amizade.

Os verdadeiros amigos não são aqueles que nos dão tapinhas nas costas e vivem alimentando nossos egos falsos. Amigo é aquele que nos ajuda a enxergar a verdade a respeito de nós mesmos. Amigo é quem nos coloca de frente pro espelho. Isso exige honestidade, coragem, aceitação, perdão, encorajamento na direção da transformação, disposição de permanecer ao lado, caminhando junto, depois que cai o pano.

Não sabemos quem se escondia por trás de Norton I. Não sabemos também do que ele se escondia, ou de quem fugia, porque precisou se proteger daquela maneira. Ninguém conseguiu fazer com que ele despisse sua fantasia. Sequer sabemos se houve quem tentasse. Norton I é uma vida desperdiçada no esforço de conseguir as melhores mesas nos restaurantes, viajar sempre de primeira classe, se hospedar nos melhores hotéis, receber convites para eventos badalados, passar dias em ilhas e castelos, assistir os espetáculos nos camarotes vips e acumular mimos de marcas famosas.

O mais triste dessa história é que Norton não é uma personagem, ou um indivíduo desequilibrado. Norton é o nome científico de um tipo de gente. Aquele foi Norton I, depois dele vieram muitos outros. Gente que não entendeu ainda o que ensinou Salomão: “maior é aquele que conquista a si mesmo do que aquele que conquista uma cidade”. As ruas estão cheias de Nortons I. A maioria deles não está nem mesmo preocupada em conquistar a cidade. Basta-lhes aparecer numa festa, numa capa de revista, ou numa retina qualquer de outro Norton se consumindo de inveja.

Tive uma ideia: vamos organizar uma festa SEM máscaras agora para o carnaval. Será que seremos capazes de reconher um ao outro?


Rabiscos do coração

Arrisco aqui rabiscar palavras

Eu leiga. Você poeta.

Mas isso, por certo, não deve importar

O que, de fato, vale são os sentimentos plantados no coração

É como a flor da amizade

Enraizada, forte, imponente, suave… marca sua presença !

A flor do amor

Promove e inspira a vida

Cor aos dias

Perfume embriagador

Beleza estonteante

A flor do encontro – de almas

Que faz o ser buscar o outro ser

Na alegria e na tristeza

Ou mesmo sem um porque

…num silêncio que diz muito

A flor do bem querer

Ah o bem querer!

Traz conforto.

Faz o coração vibrar a cada conquista do outro

ou

se esmigalha com a dor e o medo que o amigo carrega

Sim! Meu jardim floriu com sua chegada!

É hoje mais colorido e entusiasmado

e nele surgem borboletas e joaninhas

de tão sol que é!

Solo fértil para o amor…

É assim. Nosso coração aos poucos se transforma, florece!

Apareceste, então, para ser ombro amigo

Forte e suave

Terno e afável

Doce e acolhedor !

Junto a isso, todas as bênçãos

e gratidão eterna pelo o que a vida me apresentou:

Você e suas sementes.

Sei que toda grandeza de sentimento escapa a letra viva.

Ainda assim, insisto em registrar rabiscos do coração.

Joana Jesus


A leitora

Pergunto-me como vai se sentir
quando descobrir
que fui eu que escrevi isto para ti,

que fui eu que me levantei cedo
para me sentar na cozinha
e mencionar com uma caneta

as janelas ensopadas pela chuva,
o papel de parede todo decorado,
o peixe-dourado circulando no aquário.

Vá lá, imagino o que pensa,
morde o lábio e arqueie as sobrancelhas,
mas, escuta – era só uma questão de tempo

até que eu escrevesse algo sem sentido
para imagens e palavras que ganham vida
nas mil faces do Face.

Para além disso, nada ocorreu nessa manhã
uma canção na rádio,
um carro assobiando na estrada lá fora

e eu simplesmente pensando
no saleiro e no pimenteiro
colocados lado a lado num mantel individual.

Perguntei-me se se haviam feito amigos
depois de todos estes anos
ou se ainda eram estranhos um para o outro

como tu e eu
que conseguimos ser conhecidos e desconhecidos
um para o outro ao mesmo tempo

eu a esta mesa com uma fruteira de pêras,
tu encostada no canto preferido da casa
lendo isto sem entender nada,
enquanto o tempo voa,
brincando de passarinho.


O mito do amor romântico

Freud dizia que precisamos amar para não adoecer. Estou com ele. Mas é necessário sabermos distinguir entre amar concretamente e viver o mito do amor romântico.

No mito do amor romântico, os amantes, sempre perfeitos, vivem felizes para sempre.

Não, a vida não é um conto de fadas, mas nem por isso estamos privados da felicidade que ela nos sugere, desde que voltemos à concretude das pessoas reais vivendo relações reais.

Precisamos entender que não existe ser humano ideal. O que existe é o ser humano certo. O ser humano ideal não possui defeitos. O ser humano certo tem defeitos e qualidades, e na soma de tudo é um resultado em que você resolve acreditar.

O grande equívoco dos nossos dias é estabelecer as relações humanas a partir das substituições. Queremos que o outro seja a concretização humana de nossas idealizações. Hoje nos satisfaz e amanhã não mais. Trocamos. Tentamos de novo. Voltamos a trocar. As paixões são avassaladoras, mas os desencantos também. E assim vamos colecionando relações e os seus consequentes estragos.

O que consigo identificar nessas paixões é que as pessoas não são focos de bem querer, mas se limitam a serem focos de prazer. O prazer é passageiro, mas o bem querer não. Quando a outra pessoa cumpre o papel de ser o objeto do meu prazer, eu a reduzo à condição de coisa. Essa “objetificação” já se caracteriza como idealização. Há um ser humano sendo desconsiderado, uma vez que a outra pessoa foi reduzida à matéria de minha satisfação temporária.

É preciso resistir ao prazer fácil e desenfreado. Cada vez mais socializam-se entre nós as oportunidades que nos prometem resultados rápidos, sem muitos esforços. O tempo de demoras já se foi. E isto acaba se estendendo para nossas relações afetivas.

Este é o paralelo entre o bem querer e o prazer. O bem querer é mais profundo que o prazer. Ele precisa de tempo para ser despertado e vivido. O prazer não. É produto rápido. É igual carboidrato de absorção rápida, que não leva tempo para ser assimilado pelo organismo. Bem querer é alimento integral, demora para fazer digestão, e por isso alimenta por mais tempo.

O prazer é poço sem fundo. E círculo vicioso. Cria dependência que nos faz procurar por ele o tempo todo. O bem querer, ao contrário, cria permanência, porque acalma. Sabemos onde ele fica. Ele movimenta para novas buscas, mas não desorienta. É alimento integral, enquanto o prazer é alimento refinado.

Corpos perfeitos despertam prazeres, mas nem sempre despertam bem querer. O bem querer é que nos faz respeitar a sacralidade que há na outra pessoa. O prazer é um impulso rápido. Já o bem querer é um impulso de demoras. É feito devagar. Assim como ter que andar mil quilômetros, mas certos de que há um lugar a se chegar. A dureza da viagem e o cansaço serão sempre vencidos cada vez que o bem querer for relembrado. Não haverá prazer durante todo o trajeto. Por vezes, os limites serão aflorados, mas o desejo de chegar nos manterá firmes.

A mentalidade que apregoa a vida fácil, sem esforço e sem luta, é instrumento de manutenção social de pessoas apáticas e sem poder de transformação. Há uma constante socialização da idéia de que o sacrifício não deve mais fazer parte da vida humana, e que a felicidade consiste em suprimir toda e qualquer realidade que possa nos desmantelar ou provocar sofrimento.

Dessa perspectiva, o que resta é a infantilização cada vez mais frequente das pessoas; o não amadurecimento, o prolongamento da adolescência e a incapacidade de viver amores verdadeiros, que exijam de nós conviver com as frustrações das imperfeições de sermos seres humanos. Vida sem sacrifício é vida anestesiada, irreal, fortemente marcada pelas estruturas romanceadas dos contos de fadas e pela visão mágica da realidade. Estamos diante das consequências do “mito do amor romântico”.

O mito do amor romântico é muito mais que uma forma de amor. É todo um conjunto psicológico, tecido de expectativas e idealizações onde pessoas e realidades são inseridas dentro de um cenário que passa apenas na cabeça do idealizador.

No mito do amor romântico a paixão prevalece. Assim, cria-se a ilusão de que o foco da paixão condensa todas as soluções dos problemas existentes na vida. O outro acaba se tornando uma construção, cujos tijolos foram retirados dos insondáveis terrenos de nossas carências e necessidades, sem estrutura para se manter diante da realidade.

No mito do amor romântico, a pessoa amada é vista, de forma consciente ou não, como a primeira responsável pela satisfação dos desejos e necessidades de seu amante, ou mesmo a responsável por toda sua dor e angústia. Uma forma de encantamento parece inibir a percepção da realidade de maneira que a relação passa a representar um perigo para aqueles que dela fazem parte.

No mito do amor romântico, o sofrimento é sempre portal da casa. A expressão “felizes para sempre” funciona como uma negação do processo comum dos humanos, como se o amor fosse uma realidade que está distante de ser precária. O beijo final parece selar uma história em que não caberão limites e aborrecimentos. E a idealização da relação,cada parte acaba cumprindo o papel de projetar e ser projetado como personagem que viverá feliz para sempre, ainda que sem esforço.

A vida real não corresponde aos relatos dos contos de fadas. Não estamos acostumados a encontrar fadas madrinhas que transformam, num toque de mágica, a borralheira em princesa admirável, e o sapo em príncipe. O processo humano é doloroso. Nossos sapatos não são de cristais, nossos cavalos são mancos e não há carruagens paradas às portas de nossas casas esperando para nos levar aos destinos de nossos sonhos. A vida nos mostra que transformações mágicas não existem, da mesma forma como amores perfeitos estão distantes de nossos olhos. Acredite, simpatias, consultar a Mãe Diná, ou qualquer outro sortilégio que você conhecer, não será suficiente para mudar sua vida afetiva.

O que temos e podemos é a aventura de encontrar alguém, e ao lado dessa pessoa construir uma história de vida comum, felicidade que nasce do duro processo de sermos promotores uns dos outros por meio do amor que sentimos e promovemos. Por outro lado, há também a aventura de deixar alguém, e distante da pessoa que hoje (presente) me faz mal, construir uma nova vida, longe dos cativeiros, liberto novamente para amar e ser amado.

O conceito de amor não pode ser aprisionado por esta visão romântica, que não sabe considerar os limites como positivos para o crescimento humano. Tampouco pode reduzir o bem querer à condição de prazer.

O sonho que sonhamos não pode ser projeção infértil. Ele tem que estar sempre preso à realidade, afinal, é nela que estamos sustentados. A vida nos demonstra que a gênese das frustrações humanas está na inadequação entre aquilo que sonhamos para nossa vida com aquilo que de fato nos acontece. Somos incentivados a sonhar alto, a projetar grandes empreendimentos e a colocar nossos esforços para extrair o máximo que pudermos da vida. Não há nenhum erro em tudo isso. O grande problema não está em sonhar alto. Isso é fácil. O difícil está em continuarmos vivos quando o pedestal do sonho não suportar o nosso peso e dele cairmos.

Somos preparados para o sonho alto, mas ainda não aprendemos a nos manter vivos quando a vida é rasa. Nossa educação não costuma nos preparar para os fracassos. Não somos treinados para o último lugar do pódio, mas sim para o primeiro.

O mito do amor romântico parece fortalecer nas culturas o desejo que o ser humano tem de encontrar no seu mundo exterior a solução para suas imperfeições. É quase uma camuflagem. Desejosos de curar as consequências de nossas precariedades, passamos a buscar nas coisas, nas pessoas e nas situações, o remédio que nos sanaria de nossas incompletudes. O amor perfeito é sempre o amor impossível, o amor inacessível, o amor que não corresponde à realidade e que só se realiza nas obras de ficção.

As pessoas, no afã de encontrarem a pessoa ideal, a pessoa perfeita, começam a imaginar. Olham, mas não vêm a realidade, porque estão motivadas a enxergar só o que estão imaginando. Esbarram, mas não encontram, porque o encontro requer autenticidade. E justamente aqui que nascem os sequestros. É deste “não encontro” e deste “não ver” que as pessoas começam suas relações de forma errada.

Começam a projetar umas nas outras suas necessidades e lacunas. Aos poucos, vão sendo preparados os cativeiros dos condicionamentos. Esses cativeiros se estabelecem a partir de pedidos de mudanças de comportamentos, atitudes e até mesmo de mudanças estéticas. O que percebemos é uma tentativa de adequação cruel e brutal entre o que você sonhou com aquilo que verdadeiramente encontrou.

Desse encontro só podem nascer duas condições: sequestrado e sequestrador. O que determina os lados da mesma tragédia é a capacidade de rendição e de domínio de cada um. Há pessoas que têm uma facilidade imensa de dominar e determinar as relações que estabelecem. Há outras que são facilmente determinadas.

Consciente ou não, a pessoa parece inventar a outra. E inventar é uma forma de estabelecer cativeiros. Aquele que imagina retira do imaginado o direito de ser o que é. Imaginar é um jeito de negar a realidade. Sobrepõe-se à personalidade uma espécie de máscara, que poderá se tornar definitiva, processo irreversível e causador de profunda infelicidade.

Os que se acham mais espertos acabam por “bloquear” seus sentimentos, fingindo que não sentem mais, que não sofrem mais, que não serão mais enganados ou afetados pelo amor. Trata-se apenas do outro lado da mesma moeda chamada “mito do amor romântico”. Pois, como disse, não há amor sem renúncia ou sofrimento, porque para ele existir há a necessidade imperativa de interagir profundamente com o outro, o que significa lidar com o além de você, o que não é você, mas que de alguma forma misteriosa completa ou ratifica você.

Eu sei, escrever é muito fácil, difícil mesmo é viver. Mas creio que o mundo pode começar na palavra que pronunciamos. A próxima palavra a ser proferida é sempre a nova oportunidade que recebemos de mudar a história. Palavras possuem o poder de mover as estruturas. Uma mudança só é consistente se, de fato, a palavra alcançou as profundezas da mentalidade. Nenhum comportamento será modificado se a mente que o produz não estiver verdadeiramente transformada. Mudar de mentalidade é assumir um novo jeito de interpretar os fatos, as pessoas e o mundo. Por isso as palavras são ditas, são escritas. Para que tenham o poder de transformar as mentalidades.

Então, para você que vive a tragédia do mito do amor romântico, deixe de sonhar ou esperar o relacionamento ideal. Saia das nuvens, pise no chão, plante suas sementes de esperança e espere a chuva chegar. O processo pode ser lento e às vezes doloroso, mas a condição da vida é nos desmantelar enquanto não estamos preparados ou adaptados para vivermos as experiências transformadoras que ela nos propõe.

E você, que decidiu não mais buscar/experimentar/sofrer/chorar um por amor verdadeiro, deixe de bobagens, pois, como dizia o poeta Cazuza, quem prende o choro acaba aguando o bom do amor.

Que estas palavras tenham algum efeito em nossas mentes e corações, começando por mim.


Amor: parte IV

O amor se esconde no evidente. Imiscui-se por toda a parte. Ora claro, ora escuro, tinge a textura do cotidiano. Muitas vezes camuflado no óbvio, pega o coração de surpresa. Olhos displicentes correm o risco de não captar toda a formosura que permeia a vida. Esse é o amor.

Silêncio

Meu silêncio é preguiçoso. Dizer custa tudo o que nunca serei. Porque não creio que determinismos, destino, essência e natureza sejam tudo nesta vida. Desesperado e livre, só posso contar com o que se constrói na História. Cada passo, cada escolha, é uma aventura. A bússula é meu coração. Para onde vou? Ainda não estou certo, mas navegar é preciso…